{"id":307,"date":"2012-11-17T22:47:39","date_gmt":"2012-11-18T00:47:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.os-teixeiras.com\/?p=307"},"modified":"2012-11-17T22:47:39","modified_gmt":"2012-11-18T00:47:39","slug":"os-apostolos-de-garoto-valzinho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.os-teixeiras.com\/?p=307","title":{"rendered":"Os ap\u00f3stolos de Garoto: Valzinho"},"content":{"rendered":"<p>O VIOL\u00c3O NO RIO 7<\/p>\n<p>Os Ap\u00f3stolos do Garoto \u2013 Valzinho<\/p>\n<p>Ara\u00fajo de Gusm\u00e3o<\/p>\n<p>Um verdadeiro craque. Ele era o \u201cfino\u201d. A excel\u00eancia musical de todos os tempos exclama com rever\u00eancias, esta alcunha original\u2026Valzinho\u2026Sempre me causou impress\u00e3o agrad\u00e1vel e fant\u00e1stica, este diminutivo \u00edntimo oriundo de Norival. Seu nome completo de batismo: Norival Carlos Teixeira. Um violonista e compositor que estava muito al\u00e9m do seu tempo. Como um \u201cET\u201d que veio aqui nos visitar por um per\u00edodo.<!--more--><\/p>\n<p>Nasceu em 1914 e morreu em 1980 no Rio de Janeiro. Ele \u00e9 \u201cdo time que n\u00e3o foi para os Estados Unidos\u201d. Mas se tivesse embarcado, seguramente marcaria presen\u00e7a como alguns de seus colegas.<\/p>\n<p>Radam\u00e9s falava muito bem dele.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou sua carreira em 1933, fazendo \u201ccentro\u201d no cavaquinho para o flautista Dante Santoro. Os acompanhadores aos viol\u00f5es eram o Lu\u00eds Bittencourt e o Pereira Filho. No ano seguinte Valzinho j\u00e1 entrava, como violonista, para o conjunto do Pixinguinha.<\/p>\n<p>De 1936 at\u00e9 1938, fez parte do quadro da R\u00e1dio Mayrink Veiga, atuando no regional do bandolinista Luperce Miranda. Compuseram juntos \u201cN\u00e3o sei porque\u201d.<\/p>\n<p>Mas sua \u00e9poca de esplendor foi mesmo na R\u00e1dio Nacional, onde trabalhou durante 30 anos. O l\u00edder do grupo j\u00e1 era o Dante Santoro, por\u00e9m com Valzinho sempre presente nas diversas forma\u00e7\u00f5es, por onde passaram os violonistas Carlos Lentini, Norival Guimar\u00e3es e Rubens Bergman. Ali era um reduto de grandes m\u00fasicos brasileiros. Um verdadeiro \u201cninho de cobras\u201d. L\u00e1 estavam os mais habilidosos violonistas do pa\u00eds, integrantes dos in\u00fameros regionais, conjuntos e orquestras da emissora. Conforme a necessidade de um trabalho, um arregimentador escolhia: \u201cvem voc\u00ea\u2026, voc\u00ea\u2026, chama o fulano\u2026\u201d, mas em situa\u00e7\u00f5es especiais e mais sofisticadas,<br \/>\napelava para a \u201ctropa de choque\u201d formada pelo Garoto, Bola Sete, Z\u00e9 Menezes, Rog\u00e9rio Guimar\u00e3es,\u2026e Valzinho.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m tomou parte no \u201cBossa Clube\u201d, grupo em que pontificava o Augusto Sardinha, e de quem ele era um fiel seguidor messi\u00e2nico. No estilo e nas id\u00e9ias. A avassaladora influ\u00eancia da cultura americana no per\u00edodo da segunda guerra, combinada ao impressionismo franc\u00eas de Debussy e Ravel, passou primeiro por Gnattali, e logo atingiu Garoto e Valzinho\u2026que foi o \u201cJohnny Alf\u201d do Johnny Alf da bossa nova. Ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o de epifania, os descontentes inovadores j\u00e1 possu\u00eddos por um inconformismo com o formato musical dos \u201cd\u00f3s de peito\u201d acompanhados por regional, disseminaram um novo modelo, primeiramente atrav\u00e9s de uma parceria em \u201cTeu Olhar\u201d. Logo depois deles, houve o parto e nasceu a bossa nova. Estes dois s\u00e3o t\u00edpicos pr\u00e9-bossanovistas, com suas harmonias e melodias perfazendo disson\u00e2ncias estranhas, mas extremamente interessantes. Tomando como ilustra\u00e7\u00e3o uma refer\u00eancia contempor\u00e2nea, os temas de Valzinho parecem os compostos pelo Guinga. Realmente n\u00e3o teria l\u00f3gica ele fazer sucesso naquelas d\u00e9cadas de 30, 40, 50 e 60.<\/p>\n<p>Ele estava muito na frente, s\u00f3 conseguindo comunica\u00e7\u00e3o com m\u00fasicos \u201ccome\u00e7ados\u201d, termo que S\u00e3o Pixinguinha usava.<\/p>\n<p>Com Lu\u00eds Bittencourt, outro integrante do \u201cBossa Clube\u201d, Valzinho fez \u201cTempo de Crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Paulinho da Viola canta e toca dois maravilhosos sambas do genial compositor. O mais famoso \u00e9 \u201cDoce veneno\u201d, uma parceria de Valzinho com Carlos Lentini (o lend\u00e1rio violonista) e Espiridi\u00e3o Machado Goulart (letra). Outra, tamb\u00e9m not\u00f3ria, \u00e9 \u201c\u00d3culos escuros\u201d, parceria com Orestes Barbosa, seu mais constante parceiro, grande personagem da vida art\u00edstica e cultural do Rio de Janeiro, e que era o \u201cVin\u00edcius de Moraes\u201d daqueles tempos.<\/p>\n<p>O seu irm\u00e3o mais novo, o Newton Teixeira, foi um grande compositor de sucessos perenes da MPB antiga. Abastecia com can\u00e7\u00f5es de sucesso, os repert\u00f3rios dos cantores Francisco Alves, Orlando Silva e S\u00edlvio Caldas. Vezes h\u00e1 em que se referem ao Valzinho como o irm\u00e3o do Newton Teixeira. Mas para o \u201cpessoal do meio\u201d, o Newton \u00e9 que era o irm\u00e3o do Valzinho.<\/p>\n<p>Um antrop\u00f3logo musical, ao fazer um levantamento, uma pesquisa, pode vir a se deparar com uma raridade deslumbrante. Um disco vinil, LP, sigla se referindo ao antigo Long Play, em que a afinada cantora Zez\u00e9 Gonzaga vem acompanhada por Radam\u00e9s Gnattali e seu quinteto, e interpretando somente m\u00fasicas de Valzinho com seus diversos parceiros. Este trabalho \u00e9 de 1979 e Valzinho teve uma participa\u00e7\u00e3o especial na faixa \u201cViver sem ningu\u00e9m\u201d. Veio a falecer meses depois de encerradas as grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu sempre que encontro o \u201cCa\u00e7ula\u201d, outro genial e folcl\u00f3rico violonista e cavaquinista remanescente daquela \u00e9poca, vou logo cumprimentando e pedindo: \u201dMe conta alguma coisa dos tempos da R\u00e1dio Nacional! Mostra uma harmonia do Valzinho!\u201d. E ele pacientemente atende ao meu pedido. Obrigado Mestre Ca\u00e7ula! Obrigado Mestre Valzinho!<\/p>\n<p>BOLETIM<br \/>\nAV.RIO ASSOCIA\u00c7\u00c3O DE VIOL\u00c3O DO RIO<br \/>\nFundada em 20 de Janeiro de 2001<br \/>\nInscr. CNPJ: 04.517.089\/0001-19<br \/>\nCaixa Postal 70007 \u2013 CEP 22422-970 \u2013 Rio de Janeiro, RJ<br \/>\nwww.av-rio.org.br <a href=\"mailto:boletim@av-rio.org.br\">boletim@av-rio.org.br<\/a><br \/>\nCONSELHO EDITORIAL:<br \/>\nAlberto Mejia, Carlos Augusto G\u00f3es, Jos\u00e9 Miranda Pereira, Luciana Requi\u00e3o e Nicolas de Souza Barros<br \/>\nContribui\u00e7\u00f5es.: Araujo de Gusm\u00e3o, Alberto Mejia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O VIOL\u00c3O NO RIO 7 Os Ap\u00f3stolos do Garoto \u2013 Valzinho Ara\u00fajo de Gusm\u00e3o Um verdadeiro craque. Ele era o \u201cfino\u201d. 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